Um avivar das raizes

Um avivar das raizes

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

São Pedro de Lourosa




A construção da igreja de Lourosa pertence à época de Ordonho rei da Galiza .
A igreja de Lourosa é a única de estilo moçárabe existente em Portugal. Todos os estudiosos que se têm ocupado do seu estudo atribuem o ano de 912 à sua construção, data mencionada em uma inscrição que nela se encontra.
Quando Alexandre III em 1179, com a Bula "Manifestis Probatum" reconhece D. Afonso Henriques como rei, e o seu Estado, Portugal, como reino já a Igreja de São Pedro de Lourosa tinha 257 anos.
Lourosa, a vila onde se ergue a velha igreja, fica ao sul do Mondego, na região onde vêem morrer as derradeiras ondulações dos contrafortes ocidentais da Serra da Estrela. Ali permaneceu, ignorada e tranquila, durante largos séculos. A fúria transformadora, que destruiu tantas outras igrejas dos séculos da reconquista, deixou que esta chegasse até nossos dias, acrescentada embora de adições posteriores, mas respeitada nas suas linhas fundamentais primitivas. Em escavações e estudos arqueológicos, encontraram-se vestígios da época romana e visigótica, que mostram que a igreja de Lourosa já era local de culto há mais de dois mil anos.



O campanário construído no século XII

Orientada ao poente, ostenta a fachada principal, sobre a porta, uma janelinha geminada com os seus arcos de ferradura - ajimez característico, único em Portugal. Um arco da mesma natureza, ainda vísivel, fechava o vão da porta principal, em parte entaipado, hoje, pela construção da porta actual, mais pequena. Descendo alguns degraus, pois o nível do pavimento é sensivelmente mais baixo que o do terreno exterior, penetra-se no templo. O interior da igreja de Lourosa está dividido em três naves que apresentam uma particularidade notável quanto à sua extensão, pois a nave central é muito mais comprida que as naves laterais. Arcadas formadas de três arcos de ferradura separam, a cada lado, a nave central das naves laterais. Uma pedra existente na porta principal da Igreja de Lourosa indica o ano de construção da Igreja. Era de César de DCCCCL ( 950 ) que corresponde ao 912 do calendário cristão.


A ajimez visível no topo da nave central - frestas geminadas com pequenos arcos em ferradura

Na sacristia os arcos apoiam-se pelos extremos, em impostas, e, na parte central em ábacos lisos, quadrangulares, assentes sobre colunas de tipo dórico que se supõe provenientes de edifício levantado durante o domínio romano. O arco de ferradura, nota dominante e característica do monumento encontra-se ainda nas portas de comunicação da sacristia com a nave central e com a lateral do lado do Evangelho, portas que se encontram em paredes formando ângulo recto, e ainda em outras duas, simétricas, do lado da Epístola. O alto valor deste monumento foi reconhecido só na era moderna. Até 1911 as referências eram que a igreja "foy fábrica de mouros". Só em 1911 começou a ser estudado por pessoas competentes. Ocuparam-se da Igreja de Lourosa três eminentes historiadores da arte portuguesa: cronologicamente, Virgílio Correia, Joaquim de Vasconcelos e D. José Pessanha. Todos estão de acordo quanto ao inestimável valor deste monumento, pois ele veio preencher uma lacuna na evolução artística da terra portuguesa - a lacuna que separa as igrejas visigóticas das primeiras igrejas românicas.



Arcos ultrapassados sobre colunas cilíndricas


Cronologia :

912 - Data numa inscrição sobre a porta correspondendo eventualmente às primeiras obras;

1119 -Doada por D. Teresa à Sé de Coimbra;

1132 - Coutada por D. Afonso Henriques;

1188 - Reforma de toda a parte alta da nave, logo a seguir à zona dos arcos englobando os do cruzeiro;

Séc. XIV - Obras com vestígios nas fortes colunas monocilíndricas da nave;

Séc. XV e XVI - Novas obras em capelas na zona da cabeceira;

Séc. XVIII - Colocação do púlpito no arco médio do lado Norte, elevação do arco da capela-mor e renovação dos suportes do coro-alto.


Tipologia :

Arquitectura religiosa pré-românica. Raro exemplar de igreja pré-românica ( Moçárabe ) em Portugal, apresenta estrutura típica de uma construção de 3 naves e cabeceira desenvolvida. Edifício muito reconstruído ao longo do tempo apresenta, mesmo assim características da heterogeneidade de influências culturais, artísticas e civilizacionais da época da primeira Reconquista

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sé de Silves





A Sé de Silves, um dos mais carismáticos monumentos nacionais do Algarve, cuja cobertura esteve em risco de ruir, o que levou ao seu encerramento para restauro.
A classificação de Monumento Nacional desde 1922, não impediu a degradação do edifício gótico, que esteve encerrado durante oito meses de obras de conservação e restauro.
A primeira fase da recuperação contemplou arranjos no interior e a substituição das coberturas das três naves da antiga Sé, que já foi sede do Episcopado do Algarve.
A segunda fase das obras incidiu sobre o restauro dos altares laterais, a recuperação do pavimento, a que se juntou a substituição da instalação eléctrica, e deverá estar concluída em 2015. Esta etapa de requalificação do monumento será realizada ao abrigo do projecto da “Rota das Catedrais”.
Antiga sede do Bispado do Algarve, a Sé Velha, actual Igreja Matriz de Silves, foi edificada com o belo grés vermelho da região, possivelmente no local da antiga mesquita.
O início da sua construção data da segunda metade do séc. XIII ou início do séc. XIV. Os trabalhos prosseguiram até meados do séc. XV, após desabamento parcial, tendo sido alvo de alterações arquitectónicas no séc. XVIII.
A fachada principal é dominada pelo portal gótico com um espaldar que culmina num varandim suportado por cachorros com carrancas a que acresce o óculo e os dois botaréus como elementos da construção primitiva, já que toda a restante fachada e torres são barrocas.
Ainda no exterior são de referir a grande janela ogival, com quatro colunelos, junto à escadaria, e o formoso conjunto da cabeceira da igreja.
O interior apresenta três naves, com colunas singelas e arcos ogivais e o transepto e a ábside são belos exemplos de arte gótica e a capela-mor é flanqueada por absidiais com abóbada nervurada. No altar-mor, uma imagem de jaspe de Nossa Senhora com o Menino que se supõe ser do séc. XV ou XVI.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica




Edifício construído inicialmente para ser o Matadouro Municipal de Silves em 1914, a presente Casa da Cultura Islâmica realça o esplendor da Silves muçulmana.
Está situada no extremo poente da cidade de Silves no Largo da Republica e foi reaberto em 2007.
Na sua recuperação foram preservadas a estrutura e os materiais originais do edifício, a sua cobertura com três corpos foi feita em madeira e telha de Marselha e utilizaram-se técnicas ancestrais de construção em terra, como os adobes de terra prensada e estabilizada, assim como os rebocos em tadlakt(1).


(1)Tadlakt é um estuque à base de cal apagada de Marraquexe, polido à mão utilizando uma pedra redonda, funciona como acabamento impermeável e pode ser usado no interior dos edifícios e na parte externa.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Feira Medieval de Paderne




Entre os dias 30 de Dezembro e 2 de Janeiro, a freguesia de Paderne voltou a receber o evento Paderne Medieval
A Aldeia histórica de Paderne reviveu os tempos da idade média com desfiles, torneios, exibições, mercado medieval, actuações musicais e muitos outros momentos históricos .




domingo, 2 de janeiro de 2011

Igreja do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa


Designação
Igreja de Paço de Sousa / Igreja do Salvador

A construção do Mosteiro de Paço de Sousa, teve início, de acordo com os registos da época citados do Boletim nº 17 da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais de Setembro de 1939, no ano 998, e foi utilizado pela ordem dos Beneditinos. Da construção original não há qualquer registo e em 1088 a igreja foi substituída por um templo maior, consagrado em 29 de Setembro pelo arcebispo de Braga D. Pedro.

Localização
Portugal, Porto, Penafiel, Paço de Sousa



Cronologia
956 - Fundação da igreja por D. Trutesendo Galindes, filho de Galindus Gonzalvis, tal como constava da inscrição pintada no tímpano, removida aquando dos restauros da DGEMN

994 - documento mencionando a fundação e o respectivo fundador do mosteiro

séc. 12 - reconstrução e ampliação da igreja

1146 - data da morte de Egas Moniz

séc. 13 - reconstrução e ampliação da igreja

1605 - demolição da Capela do Corporal

séc. 17 - construção do claustro e fonte

1690 - data do cruzeiro

séc. 18 - ampliação do edifício conventual

1706 - contrato com o ourives Manuel do Couto e Sousa para a execução de uma cruz de prata, igual à do Mosteiro dos Religiosos de São João

1741 - remodelação da capela-mor

1784 - reconstrução da capela-mor

1927 - violento incêndio danifica sobretudo o mosteiro

1944 - é transferido para a igreja um altar proveniente da Igreja de Arnoso.


Materiais
Estrutura em granito, cobertura de madeira telhada; cobertura dos absidíolos em abóbada de pedra; pavimento em lajes graníticas; portas e altares de madeira; cenotáfio de granito; madeira no tecto da sacristia e da Sala do Capítulo, janelas e portas; gradeamentos em ferro; placas de cimento; talha nos retábulos; pinturas murais.




Uma das principais figuras da região, Egas Moniz, descendente de uma das primeiras e mais influentes famílias da Nobreza da primeira monarquia portuguesa, os Ribadouro, está sepultado no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa. No seu túmulo é possível admirar as gravações escultóricas da sua viagem a Toledo, na qual ofereceu a sua vida e a da sua família pela falta de cumprimento de palavra do rei D. Afonso Henriques.




Nesta representação do túmulo podemos observar duas senhoras em saudação, e outras duas junto ao corpo físico do aio de D. Afonso Henriques, enquanto a alma do defundo sai pela boca amparada por dois anjos.Repare-se que estes seguram um círculo por onde a alma entra.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Siglas Poveiras





As siglas poveiras são uma forma de "proto-escrita primitiva", já que se trata de um sistema de comunicação visual rudimentar; devem-se a colonos Vikings que passaram o seu sistema de escrita para a população poveira há cerca de mil anos atrás. As siglas eram usadas como brasão ou assinatura familiar para assinalar os seus pertences - também existiram na Escandinávia, onde eram chamados de bomärken, e de onde esta tradição provém.
No passado, era também usado para recordar coisas como casamentos, viagens ou dívidas. Devido a isso eram conhecidas como a "escrita" poveira, sendo bastante usada porque muitos dos habitantes desconheciam o alfabeto latino, e assim as runas adquiriram bastante utilidade. Os vendedores usavam-nas no seu livro de conta fiada, sendo lidas e reconhecidas por estes tal como nós reconhecemos um nome escrito em caracteres latino. As siglas-base consistiam num número bastante restrito de símbolos dos quais derivavam a maioria das marcas familiares; estes símbolos incluíam o arpão, o coice, a colhorda, a lanchinha, o sarilho, o pique (incluindo a grade que era composta de piques cruzados). Muitos destes símbolos são bastante semelhantes aos que são encontrados no Norte da Europa e geralmente possuiam uma conotação mágico-religiosa de protecção quando pintados nos barcos.
Siglas antigas podem ainda ser encontradas na actual Igreja Matriz (Matriz desde 1757) e na Igreja da Lapa (na Póvoa de Varzim), na Capela de Santa Cruz (em Balasar), em vários locais religiosos do Noroeste Peninsular e são ainda usados de forma cada vez mais ligeira por algumas famílias de pescadores. A mesa da sacristia da antiga Igreja da Misericórdia, que serviu de Matriz até 1757, guardava em si milhares de siglas que serviriam para um estudo mais aprofundado, mas foi destruída quando a igreja foi demolida. Os poveiros escreviam a sua sigla na mesa da Igreja Matriz quando se casavam, como forma a registar o evento.
As siglas eram passadas do pai para o filho mais novo, já que na tradição poveira que ainda perdura, o herdeiro da família é o filho mais novo tal como na antiga Bretanha e Dinamarca; aos outros filhos eram dadas a mesma sigla mas com traços, chamados de «pique». Assim, o filho mais velho tem um pique, o segundo dois, e por ai em diante, até ao filho mais novo que não teria nenhum pique, herdando assim o mesmo símbolo que o seu pai. O filho mais novo é o herdeiro da família, pois era esperado que tomasse conta dos seus pais quando estes se tornassem idosos. Também, e ao contrário do resto do país, é a mulher que governa e dirige a família - este matriarcado radica no facto de o homem estar normalmente a pescar no mar, sendo muito provavelmente uma reminiscência de costumes matrilocais muito antigos.




http://www.cm-pvarzim.pt/turismo/conhecer-a-povoa/siglas-poveiras

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Igreja de Santa Cristina de Serzedelo







Cronologia
1071 / 1072 - Data da inscrição funerária existente no sarcófago com alusão a Galindus, provavelmente Galindus Gonzalvis, pai de Soeiro Galindes, Senhor de Riba-Cávado, casado com D. Goína Pais, bisneta do Conde D. Paio Vermudes, presor da Terra da Vinha (BARROCA, 2000); José Mattoso aponta para outro provável Galindus Gonzalvis, casado com Vistregia, pai de Patrina e de Trutesendo Galindes, este último fundador do Mosteiro de Paço de Sousa (v. PT011311220003); séc. 11, final - Provável data da inscrição, possivelmente pertencente a um monumento funerário de Sesnando (BARROCA, 2000); séc. 12 - segundo José António Almeida existia no local um convento dos Eremitas de Santo Agostinho, que terá pertencido aos Templários, tendo passado posteriormente depois para a Comenda da Ordem de Cristo (ALMEIDA, 1976); segundo Pinho Leal o mosteiro pertencia à Ordem de São Bento (PINHO LEAL, 1873); séc. 13, meados - provável reedificação da igreja (ALMEIDA, 1978); séc. 14 - construção da capela funerária adossada a S. da capela-mor; séc. 15 - a igreja passa a ser abadia secular; posteriormente passa a reitoria; séc. 16, primeira metade - execução das pinturas murais; séc. 18 - construção do tecto de caixotões da capela-mor; 1717, 2 Setembro - na Visitação é referido que "o fabriqueiro não tem dado satisfação às obras mandadas fazer na visita passada, com é telhar a Capela Maior da Igreja, consertar a vidraça..."; 1718, 18 Agosto - segundo a Visitação foram colocadas as redes nas frestas, faltando tapar a porta lateral do exonártex; 1720, 2 Dezembro - segundo a Visitação ainda não foi colocada a vidraça nem as telhas na capela-mor; 1723, 26 Novembro - segundo refere a Visitação " Acho o corpo da igreja tão escuro e falto de luz que se não escusa abrir-se nela uma fresta de bom tamanho, que tenha cinco palmos de alto e quatro de largo com sua grade de ferro, vidraça e rede de arame (...) os fregueses mandarão abrir da parte da pia baptismal, na forma que determino em termo de três meses sob pena de 3000 réis (...) também a porta travessa da parte da dita pia está muito baixa e incapaz para ela sair o palio, cruzes e mais paramentos das procissões, pelo que mando os fregueses ou a levantem ou façam uma de novo mais abaixo da que está"; a questão da porta teria de ser resolvida no prazo de 4 meses, sob pena de 4000 réis pagos pelo juiz da igreja; 1724, 25 Outubro - a Visitação menciona que nenhuma das obras ordenadas foi executada; 1725, 27 Novembro - a Visitação refere que devido à dificuldade em se abrir uma janela no local onde estava a pia baptismal, pois a parede era bastante grossa, que a pia se mude para o exonártex, do lado esquerdo do portal, rodeada por grades altas; 1726, 1 Novembro - a Visitação refere que a pia baptismal já foi mudada, mas que as grades poderão ser dispensadas por não haver espaço; 1729, 2 Agosto - segundo a Visitação, os fregueses deverão arranjar o forro da igreja, junto ao arco e telhar o cabido da porta travessa, do lado da Epístola; 1730, 26 Junho - a Visitação menciona que as obras ordenadas não foram feitas; as casas da Residência e recolhimento de frutos ameaçavam ruína, pelo que seria um prejuízo para o Comendador da Igreja, o Conde da Ericeira; 1731, 16 Setembro - Visitação dando conta que as casas da Residência ainda estavam arruinadas; determina-se que se rasgue uma fresta na capela-mor, ao pé do arco triunfal; 1733, 7 Dezembro - a visitação dá conta que as obras da casa da Residência ainda não foram feitas; a despesa pertencia ao Comendador; 1739 - a Visitação determina que se limpe a pia baptismal, assim como o sacrário, retábulos, imagens, paredes, forros; segundo o visitador, o padre terá de limpar a igreja pelo menos quatro vezes por ano; 1743, 10 Novembro - a Visitação menciona que a igreja se encontra muito abaixo do nível do adro, que para lá entrar tem de se descer três degraus; existem muitas inundações devido a sua situação rebaixada; é também demasiado escura; o visitador ordena que se encha de terra o pavimento interior da igreja, de modo a ficar nivelado com a capela-mor; que se disponham as campas como estavam; que se levantem os retábulos colaterais; parte da porta travessa do lado da Epístola terá de ser entaipada; por cima da porta lateral da nave, do lado da Epístola terá de ser aberta uma fresta; os guarda-pós dos retábulos deverão ser arranjados; 1744, 10 Novembro - o visitador revoga a ordem de enchimento do pavimento interior de terra, devido à intenção dos moradores mudarem a igreja para junto do Calvário; o visitador ordena ainda que se doure o frontal do retábulo-mor; 1746, 20 Novembro - devido à falta de dinheiro para as obras o visitador determina que o padre no termo do mês dê parte da Mesa da Consciência para a obra do douramento do frontal do retábulo-mor; no prazo de dois meses será feito o cruzeiro fronteiro à igreja; 1760, 29 Fevereiro - o visitador determina que se arranje os caibros do forro por cima do coro, assim como todo o telhado, usando a telha e cal que for necessária; 1780 - segundo o Abade de Tagilde a igreja recebeu uma visitação neste ano, sendo reconhecida a necessidade de reformar a igreja e se fizesse importantes obras; os fregueses forma com embargos à Relação primaz, que confirmou o mandato do visitador; subiu recurso à Coroa, que ordenou que o visitador procedesse com justiça; 1784 - perante o visitador foi resolvido fazer uma nova igreja junto do Calvário, no entanto esta obra nunca chegou a ser feita; séc. 19 - provável reforma da igreja, nomeadamente construção de novos retábulos e sanefa do arco triunfal; 1941, Fevereiro - um ciclone causa diversos estragos na igreja; 1942, Junho - início das grandes obras de restauro do edifício, levadas a cabo pela DGEMN *1; 1957 - a igreja é reaberta ao culto, apesar de as obras não estarem totalmente concluídas; 1981 - carta do páraco de Serzedelo, Padre Manuel Dias da Silva Salgado, ao Ministro das Obras Públicas, dando conta da necessidade da construção de uma nova igreja paroquial, na proximidade da antiga; 1990, 7 Novembro - carta do páraco José António Fernandes Antunes ao presidente do IPPC dando conta que o adro estava em estado de abandono, pois as obras nunca haviam sido concluídas, e que a rampa que foi construída permitia a entrada de águas pluviais no interior da igreja; 1993 - a igreja já não apresentava culto.





Enquadramento
Rural, isolado, implantado no centro de amplo terreiro trapezoidal, pontuado por algumas árvores. O terreiro é delimitado a S. por casas de habitação, e a N. pela EN. No extremo O. encontra-se o cemitério da freguesia. A igreja encontra-se rodeada por adro murado, em quota inferior ao terreiro, desenvolvido em patamares devido ao declive do terreno, com acesso a O., fronteiro à fachada principal, a S., por escadaria, junto à sacristia, e a E, também por escadaria, junto à fachada posterior. Apresenta pavimento em laje de granito, frontalmente e lateralmente, a lateral S. com estreito corredor junto à parede, e o restante em terra batida. Junto à fachada lateral N. encontram-se quatro sarcófagos, dois deles ainda com tampas, apresentando uma delas uma inscrição.


Descrição
Planta longitudinal composta por exonártex fechado e nave única rectangulares, capela-mor quadrangular, com sacristia, também quadrangular, adossada lateralmente a S. e muro campanário disposto lateralmente em relação à fachada principal, também a S.. Volumes escalonados de dominante horizontal, com nave mais alta do que os restantes volumes. Coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas em alvenaria de granito, com embasamento, na fachada lateral S., no corpo da nave, escalonado. Remates das fachadas de topo em empena coroadas por cruzes páteas no exonártex e nave e cruz florenciada na capela-mor, e das laterais por cornija suportada por cachorrada lisa. Fachada principal orientada, com pano do exonártex aberto por portal, com consolas suportando tímpano, inscrito em duas arquivoltas ligeiramente quebrados, com impostas destacadas. A primeira arquivolta é enquadrada exteriormente por friso em dente de serra e dois sulcos simples que a percorrem inferiormente. Em ambas as arquivoltas existem alguns silhares com siglas. A encimar o portal encontra-se fresta inscrita em arco pleno enquadrado por dois sulcos, à semelhança da arquivolta do portal. Pano da nave, com fresta, parcialmente oculta, enquadrada por arquivolta plena. Fachada lateral N., com pano do exonártex e da nave percorrido por cachorros que suportariam alpendre, no da nave encimados por pingadouro. Neste pano rasga-se portal com consolas suportando tímpano decorado por cruz pátea vazada, enquadrado por arquivolta ligeiramente quebrada. Junto ao portal, do lado esquerdo encontra-se silhar com inscrição. Pano da capela-mor rasgado por fresta, ladeada por dois cachorros, colocados a diferentes alturas. Fachada lateral S. igualmente percorrida por cachorros, na nave e na sacristia, encimados por pingadouro. Pano do exonártex com portal, semelhante ao da fachada oposta, apenas com a diferença que a cruz pátea do tímpano não é vazada. É ladeado superiormente, do lado esquerdo, por fresta. Pano da nave, com contraforte abaixo do pindadouro, e a cima sequência de três frestras. No estremo direito outro portal, com consolas suportando tímpano, vazado com cruz pátea, enquadrado por arquivolta plena. Pano da sacristia perpendicular ao da nave rasgado por portal em arco quebrado, enquadrado superiormente por arquivolta, também quebrada, e entre os cachorros dois escudos. Acima do pingadouro rasga-se fresta. Fachada posterior com panos da nave e capela-mor rasgados por fresta e pano da sacristia com janela em arco quebrado, mainelada, com impostas destacadas, e pequeno óculo quadrilobado na enjunta. Muro campanário em alvenaria de granito, com sineira no topo, ao centro, em empena, com duas ventanas em arco pleno e acesso por escada de ferro. INTERIOR com paredes em alvenaria de granito. Exonártex com cobertura em masseira de madeira com o travejamento à vista. Pavimento em taburnos de madeira e guias de granito. Do lado do Evangelho encontra-se baptistério sobre plataforma de granito, com pia baptismal de taça e coluna octogonal. Na parede rasgam-se dois arcossólios, ligeiramente quebrados, enquadrados por arquivolta. Parede do lado da Epístola com portal de comunicação com o exterior, enquadrado por arco pleno, com siglas nos seguintes do fecho, assente em imposta destacada. Parede testeira com portal de acesso à nave, com consolas suportando tímpano vazado por cruz pátea. É enquadrado por três arquivolta, a exterior decorada por friso de lanças. Nave com cobertura e pavimento igual ao do exonártex. Parede do lado da Epístola com púlpito de base granítica, rectangular, assente em modilhão, e guarda vazada em balaustrada de madeira. Acesso por escada de madeira. Em ambas as paredes rasgam-se portais de acesso ao exterior, ladeados por pia de água benta gomada. Arco triunfal pleno assente em colunas fuste com vestígios de pintura mural de arabescos e capites fitomórficos. Nesta parede encontram-se vestígios de pintura mural, superiormente com arabescos, e a ladear o arco triunfal, prolongando-se para as paredes laterais da nave, com representação de vários santos, delimitados por painéis. Nestes painéis, do lado do Evangelho, encontra-se a representação "O martírio de São Sebastião", e um anjo, e do lado da Epístola "A coroação da Virgem" e Santo António. Ainda neste último lado, mas na parede lateral da nave, encontra-se um painel com São Brás. Capela-mor com cobertura em tecto de masseira de, decorado por caixotões de talha dourada com pintura de medalhões fitomórficos. Pavimento em laje de granito. Parede testeira com altar recto de granito com sacrário de talha, sobre supedâneo de dois degraus. A encimar o altar rasga-se fresta inscrita em arco pleno. A parede apresenta vestígios de pintura mural, com painéis figurativos, um deles representando "O milagre de São Martinho", com o santo representado a cavalo, com chapéu emplumado, espada na mão e oferecendo o seu manto a um mendigo. Apresenta igualmente decoração com motivos de arabescos, prolongando-se para a parede lateral, do lado da Epístola. Nesta última abre-se porta de verga recta, emoldurada, de acesso à sacristia, ladeada por nicho, encimada por fresta entaipada, inscrita em arco pleno. Sacristia com cobertura de madeira com travejamento à vista assente em cachorrada com sulcos marcados, do lado do Evangelho. Parede testeira com vestígios de pintura mural, bastante esbatidos, prolongando-se para a lateral esquerda. Parede fundeira com lavabo, com reservatório parcialmente oculto por espaldar rectangular com torneira e taça oval.




Tipologia
Arquitectura religiosa, românica, gótica, quinhentista e barroca. Igreja monacal de estrutura românica, composta por exonártex fechado, nave única, capela-mor, primitiva capela funerária gótica, usada posteriormente como sacristia, adossada lateralmente à capela-mor e muro campanário junto à fachada principal. O exonártex, possivelmente de construção mais tardia, com algumas semelhanças ao da Igreja de São Miguel de Vilarinho (v. PT011314320008), em Santo Tirso, apresenta a fachada principal com os mesmos formulários construtivos e decorativos de uma fachada principal de uma igreja românica, construído mais baixo do que a nave, de modo a se diferenciar desta. Os portais deste espaço apresentam arquivoltas ligeiramente quebradas seguindo uma solução de transição para o gótico. Os portais da nave, tanto o axial como os laterais, apresentam arquivoltas plenas, o primeiro mais profundo. Os portais do exonártex, assim como os da nave, apresentam consolas a suportar o tímpano, sendo o axial da nave e os laterais, decorados com cruzes páteas. Antes dos restauros iniciados nos anos 40, apenas o lateral do exonártex apresentava esta morfologia, que se manteve, os restantes não tinham consolas nem tímpanos, sendo estes feitos à semelhança do primeiro. Os portais axiais apresentam decoração a enquadrar as arquivoltas, no exonártex, friso em dente de serra e na nave, motivo de lanças. Os portais, bastante simples, apresentam semelhanças na linguagem decorativa com os da Igreja de São Miguel do Castelo (v. PT010308340006), em Guimarães. A iluminação é feita através de frestas que se rasgam acima dos portais axiais, em arquivolta plena, nas fachadas laterais, acima do arco triunfal e no topo da cabeceira. Os topos das fachadas são em empena, no exonártex e na nave coroadas por cruzes páteas e na capela-mor por cruz florenciada. Fachadas laterais com remates em cachorrada simples, percorridas por cachorros que suportariam alpendre, no panos do exonártex e nave, sendo nestes últimos percorridos por pingadouros. Panos do corpo gótico com acesso principal em arco quebrado, encimado por cachorros, também para alpendre, e entre estes escudos. Na fachada posterior rasga-se janela em arco quebrado mainelada. Interior com coberturas em madeira, na capela-mor em masseira decorada por caixotões de talha barrocos. Pavimentos em taburnos no exonártex e nave e em laje de granito na capela-mor e sacristia. Exonártex com parede lateral rasgada por arcossólios, também ligeiramente quebrados. Arco triunfal pleno, assente em capitéis fitomórficos, bastante alto, possivelmente de uma fase mais tardia do românico. Pinturas murais quinhentistas, com decoração de arabescos e representação de Santos.


Fonte : www.monumentos.pt

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ponte da Ucanha










A Ponte da Ucanha constitui o mais bem conservado exemplo de uma ponte fortificada no nosso país. Construída sobre o rio Varosa, esta ponte evidencia-se sobretudo devido à imponente torre que se situa sobre uma dassuas extremidades. Por isso, o monumento também é conhecido como Torre da Ucanha.
A ponte é arqueada e composta por um arco grande e quatro pequenos, estando actualmente interdito o tráfego de veículos, excepto os de duas rodas. O acesso do lado sul é feito através de um túnel, que passa sob a torre.A necessidade de defesa estava,relacionada com a proximidade do mosteiro cisterciense de Santa Maria de Salzedas, de cujo couto a vila de Ucanha era cabeça.
A sua existência já vem documentada no século XII. D. Afonso Henriques doou,no ano de1163, à viúva de Egas Moniz, Teresa Afonso, o couto de Algeriz, acrescentando-lhe o território de Ucanha. A ponte deve ter sido construída pelos romanos, no seguimento de uma estrada que passava ali perto. Teresa Afonso, fundadora do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, doou ao convento o couto que recebera do rei e foram os monges quem mais beneficiou da velha ponte, convertida em apreciável fonte de rendimento pelos direitos de portagem que seriam cobrados.
Em 1324, D. Dinis pretendeu favorecer as gentes e vila de Castro Rei, concedendo-lhes o privilégio da passagem de Moimenta para Lamego, mas face à pressão dos frades de Salzedas, o rei confirmou tal privilégio a Ucanha.







sábado, 27 de novembro de 2010

Capela de S. Pedro de Balsemão - Lamego





Descrição
Planta longitudinal, composta, regular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas de telhados de 2 águas e não coincidência do exterior com o interior. Embasamento proeminente conferindo-lhe grande horizontalidade. Capela de 3 naves e capela-mor. Fachada do lado esquerdo com embasamento muito demarcado. Fachada principal delimitada por pilastras, com escadaria de 8 degraus rectangulares com rebordo no remate dos patins que dão acesso à porta, de perfil rectangular e ladeada por fenestração rectangular gradeada, encimada por 3 brasões de armas. Remate em cornija e pequena sineira sobre a porta. 2 registos epigráficos completam o muro da capela. O corpo da capela-mor, em plano mais recuado e de menores dimensões e altura, comporta pequena fenestração igual ao do corpo da capela. Fachada da capela-mor cega, embasamento e cornija. Lateralmente os muros, igualmente cegos, fecham o corpo da capela. Fachada do lado direito: Junto a muro, porta com arquitrave, a que se tem acesso por escadaria de 4 degraus semelhante à do alçado fronteiro, mas de menores dimensões. Pilastras e cornija. O alçado fronteiro ao altar-mor é cego por invasão de muro e construção que se prolonga até ao cunhal da capela. INTERIOR: 2 fiadas de 3 arcos de cada lado, a pleno centro, assentes em colunas cilíndricas atarracadas, com capitéis de decoração fitomórfica. Arco triunfal de arco em ferradura, assente em colunas adossadas ao pano murário divisor da capela com a capela-mor, lembrando iconóstase. Altar-mor de talha. Tectos de madeira, policromada, de caixotões.


Cronologia
Séc. 6 - Balsemão já era paróquia; séc. 13 - nas Inquirições, surge referida como local bem povoado; 1562 - construção de um altar em honra de Santa Maria, cabeça do vínculo da Quinta da Régua, criado pelo bispo D. Afonso; 1981, 14 Setembro - o imóvel é afecto ao IPPAR, por auto de cessão.


Tipologia
Arquitectura religiosa visigótica, maneirista. Planta de gramática basilical. Semelhanças com iconóstase. Decoração com motivos visigóticos: cordões circulares nas impostas, losangos gregos, espinhas, dentes de serra, impostas terminadas por modilhões enrolados. Afinidades decorativas com a Ermida do Paiva, Tarouquela e Sernancelhe.


Bibliografia
VASCONCELLOS, Joaquim de, Arte Românica em Portugal, Porto, 1918; CORREIA, Vergílio, Artistas de Lamego - Subsídios para a História da Arte Portuguesa, Coimbra, 1923; PESSANHA, José, São Pedro de Balsemão e São Pedro de Lourosa, Coimbra, 1927; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, Lamego, 1977; Guia de Portugal, Vol. V - II, Lisboa, 1988

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe na Raposeira



Nossa Senhora de Guadalupe na Raposeira é uma pequena ermida que se ergue num vale aberto, entre duas breves colinas, a pouca distância da Raposeira/Vila do Bispo, a norte da estrada que liga estas duas povoações a Lagos.
O acesso faz-se por um curto troço de estrada secundária, que termina no largo fronteiro à porta principal do templo.
De pequenas proporções exteriores, com aspecto sóbrio, onde o contraste da pedra, de cor característica, - no portal e degraus, no óculo, nos cunhais e contrafortes -, é realçado pela brancura da cal das paredes. Essa mesma pedra encontra-se espalhada nos terrenos circundantes.



O corpo do templo é formado por três tramos, marcados por dois largos arcos diafragma, que morrem a cerca de meia altura da parede e cujos ângulos chegam quase à cobertura de madeira. Têm rebordos, como que nervuras largas e grossas, que assentam sobre os capitéis lisos de uma espécie de mísulas. Estes capitéis alargam-se junto à parede, dando assento, igualmente, à pequeníssima espessura saliente dos arranques dos arcos, os quais, no exterior do templo, são sustentados por grossos contrafortes escalonados, perceptíveis na parede interior, a partir do nível inferior dos capitéis.



Sobre o interior visível do contraforte do primeiro arco, do lado sul, encontra-se uma pia de água benta, circular, que se estreita ligeiramente na parte inferior. Esse estreitamento está sublinhado por uma finíssima aresta saliente, sobre a qual uma linha quebrada, igualmente fina e suave, circunda a pia.



No segundo tramo, ao lado da pia, abre-se uma porta para o exterior. Interiormente apresenta-se de verga abaulada e, exteriormente, de arco quebrado, com o ângulo pouco acentuado e de aresta chanfrada. Sem capitéis, continua-se pelos pés direitos, também chanfrados, interrompendo-se à altura de uma pequena imposta que, a poente contém um elemento decorativo, mais uma vez cordiforme.